quarta-feira, 18 de julho de 2012
azul
sinto sua falta, sinto falta de falar o seu nome para alguém da minha família, com um tipo de satisfação secreta e de amor, o amor que hoje tento encontrar na calçada e nas montanhas da cidade.
despertar aos poucos para a sua companhia.
já não é mais a mesma febre e sede e fome, a falta de fôlego e o excesso de choro preso no corpo de quando a escritora de vinte anos sentava no café do cinema com seu caderno para escrever um livro antes do filme.
hoje é o tempo azul dos barcos. o tempo que não me inquieta tanto.
oceano pacífico de perdas, e a felicidade líquida de não esperar telefonemas e de evitar os dramas.
azul. o fim do dia.
azul de esperas e machucados boiando no mar escuro do passado. na gaveta, no poço.
azul das minhas veias e da maquiagem que nunca usei. azul do uniforme do colégio, do céu quando eu olho para o céu. azul de uma jaqueta e de um tênis e a dúvida se devo comprar de novo um tênis azul ou se dessa vez eu mudo para o verde ou para o violeta.
descanso longe dos pedidos. descanso no papel.
palavras para escrever depois da primavera e do inverno, depois de tantas histórias e agora, viva ainda, bonita ainda, alegre ainda, mesmo sem você. entre clichês ainda. mas contente.
você, o porto de todos os assuntos e o motivo do impulso para escrever sobre a falta que hoje é leve.
se é que uma falta pode ser leve.
quando você não estava. nem sempre foi ruim.
ass. júlia.
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