Foto: Juliana
Amplitude íntima
Como vou me apresentar para você?
Sou uma mulher? Esta palavra simples e impossível.
Poderia ter dito que sou um ser humano, mas ser humano evoca em mim uma mistura de Walt Whitman e Hitler.
Sou um ser humano mas não estou nua, nas páginas dos manuais de médicos tarados do século XIX.
Eu vou abreviar isso dizendo que sempre escrevi.
Sempre escrevi.
Viver, escrever, deixar a roupa suja na escrita, meus erros, defeitos, minha fome, minha paciência forçada.
Amplitude íntima da página onde escrevo fugindo de me repetir me repetindo.
Hoje estive dentro de tantos papéis, tantas roupas, quis apagar as palavras da minha cabeça.
Palavras, fiquem quietas um pouco.
Palavras algas no fundo do mar me deixando dormir escrevendo, sonhar escrevendo, respirar escrevendo, escrevendo mentalmente sem parar uma história que se perde. Negada tantas vezes. Desmanchada.
Todos os elementos ao alcance da mão.
Nossa heroína infelizmente está resistindo a reclamar. Não reclama de mais nada. Não reclama. Nem uma palavra negativa manchando o ar de treva, de fumaça escura, de torções internas, nos órgãos dos outros, ao redor dos olhos, nada. Nenhum incômodo.
Vivendo na época das pessoas maduras, felizes e seguras, ela recusa-se a reclamar. Quer escrever uma carta para o amigo escritor dizendo que não está tudo bem, mas a cada reclamação segue-se a resposta pronta contrária, de que "eu sei que isto não é nada", de que "isto também vai passar", de que "há muita justiça disponível e muita ordem no mundo", "mesmo que você não entenda", "está tudo bem se você projetar coisas boas". "Você já reclamou disso tantas vezes". "Você tem razão, e daí?".
O tribunal interno não permite reclamações hoje. O guichê está fechado pelo super-ego.
Saturno não tolera mais súplicas, e nem o direito à palavra "cansaço" lhe está disponível.
Então só resta o muro. O contra-argumento eterno de que está tudo bem.
Tudo bem e cada vez melhor. A felicidade cortando os galhos da árvore dos lamentos.
A autoritária felicidade e as comprovações concretas de que tudo flui.
Mentiras e verdades gastas, espalhadas pela casa, mudas.
Amplitude íntima, garganta estreita.
E um beijo, um chamado, a chuva. O mundo inteiro trazendo presentes.
Gratidão e tristeza de mãos dadas e uma felicidade estranha desmanchando as letras.
sábado, 10 de novembro de 2012
o Sol da escrita
O Sol da escrita
Todos os dias o sol negro da escrita me desperta.
Todos os dias o sol noturno da escrita, molusco, polvo, peixe, coral líquido me irrita.
E quando fujo, provoca outras, outros que fui, serei e sou eu mesmo assim, particularmente múltipla, poeira cósmica, universitária santa, puta mãe em potencial, querendo ser simples sem nunca conseguir despachar a bagagem acadêmica de cima das minhas costas.
As estrelas caem nas minhas mãos e no papel.
As estrelas, ao meu comando, caem em qualquer lugar.
Quando você estiver lendo a próxima frase, uma estrela vai cair na sua nuca.
Eu te mando uma gota de chuva, leitor, eu te envio um cheque de um milhão de dólares.
Eu te ofereço tudo, com a imaginação que é nossa, eu te ofereço o mundo.
Só não posso te oferecer o céu da escrita, o sol escrevente que me chama tocando sinos, quebrando pratos.
Este sol é meu. O desaprendizado técnico particular que me falta, a orquestração poética que me pertence, as notas escritas sobre a pele, o corpo, o meu corpo, tudo o que é meu, seu, e nada, tudo, menos o sol da escrita.
Da minha escrita que você bebe agora, e que eu te ofereço, assumo também o cálice, o impossível empréstimo. Um brinde. A nós. Ao nosso ódio. Ao nosso amor.
Um brinde sem indiferença.
Todos os dias o sol negro da escrita me desperta.
Todos os dias o sol noturno da escrita, molusco, polvo, peixe, coral líquido me irrita.
E quando fujo, provoca outras, outros que fui, serei e sou eu mesmo assim, particularmente múltipla, poeira cósmica, universitária santa, puta mãe em potencial, querendo ser simples sem nunca conseguir despachar a bagagem acadêmica de cima das minhas costas.
As estrelas caem nas minhas mãos e no papel.
As estrelas, ao meu comando, caem em qualquer lugar.
Quando você estiver lendo a próxima frase, uma estrela vai cair na sua nuca.
Eu te mando uma gota de chuva, leitor, eu te envio um cheque de um milhão de dólares.
Eu te ofereço tudo, com a imaginação que é nossa, eu te ofereço o mundo.
Só não posso te oferecer o céu da escrita, o sol escrevente que me chama tocando sinos, quebrando pratos.
Este sol é meu. O desaprendizado técnico particular que me falta, a orquestração poética que me pertence, as notas escritas sobre a pele, o corpo, o meu corpo, tudo o que é meu, seu, e nada, tudo, menos o sol da escrita.
Da minha escrita que você bebe agora, e que eu te ofereço, assumo também o cálice, o impossível empréstimo. Um brinde. A nós. Ao nosso ódio. Ao nosso amor.
Um brinde sem indiferença.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
O meu corpo
Foto: Juliana
O meu corpo
De dentro do
meu corpo eu acordo e não acredito.
Tenho
transporte e voz e posso ir onde quiser. Mas o maior susto é saber que estamos
juntos, que conto com todo o meu corpo vivo hoje e tenho mais um dia livre.
Há essa reserva
de tempo e de energia disponível para caminhar até mim, até você, até a
padaria, até o pronto-socorro, a igreja, a montanha.
Todos os
dias com meu corpo são e estão presentes. Presente de des-aniversário e de
aniversário estar aqui, parabéns pra você caminhando entre as linhas dos segredos, das vontades, da sede, da calma, da escrita. Eu estou presente hoje, eu estou criando minha presença
mais doce hoje. Comemore comigo o fim do pesadelo.
Preciso me
reconciliar não com a escrita, mas com as ruínas. Preciso escrever sobrevivi a centenas, a milhares de
cortes, de variados tamanhos e cores.
O diamante
lapidado de uma agressão fere a pele da alma, o diamante da nova humilhação
disponível retorna, como sombra, como assombração, como luz clara e evidente
escrita com letra legível. Mais uma vez, um sentimento de ser machucada por
alguém, um olhar, uma palavra para me diminuir. Justo hoje, no dia que ganhei
de graça, ou por mérito desconhecido. Mas Hoje apaga todas as dores para sempre. Mesmo que muitos corpos animados hoje transformem-se naqueles que extraem alegria da desgraça alheia, dos segredos dos outros, das fraquezas e muletas que levo comigo, ainda assim estou feliz.
Humilhações
são dissolvidas depois de certo número de ocorrências. Este é o segredo de
estar livre, é sofrer uma agressão e estar mais forte do que ela, com os
pés cravados no chão e o espírito mais alto do que qualquer tentativa de me
machucar.
De dentro do
meu corpo eu escrevo e reescrevo o conhecimento, o horror e o contentamento
mais sublime. Um baú de memórias trêmulas. Um diário de grandes saltos e vôos imprevistos anima meu corpo neste minuto.
Meu corpo curado e cuidado por mim, arruinado e reerguido, um corpo que se
transforma e se adapta a terremotos, cacos, perdas, silêncios, dores maiores do
que palavras.
Meu corpo
antigo e alegre recita meus melhores segredos.
Os melhores segredos eu compartilho com o meu corpo. É assim, solitário, mas acontece em companhia.
Sobre a minha
pele, dormem quietos os gatos. Os gatos secretos das sensações indescritíveis
que articulam cada um dos ossos do esqueleto da minha leveza.
O móbile das minhas quedas transformado em sistema solar, exuberante constelação de segredos íntimos, segredos da nuca, do ombro, da barriga. Segredos do corpo.
Com meu corpo
hoje me sinto inteira, única, rica, irremediavelmente próspera.
Hoje estou
bonita de uma beleza indecifrada, que só eu conheço.
Hoje visto a coroa de flores, os véus de noiva, as rosas vermelhas. O meu nome.
Meus passos
escrevem um futuro que dispensa recuperação. Um futuro brilhante.
E o final dos segredos pequenos do corpo é a certeza desconhecida e amplificada.
Eu sei que
logo vou ser mãe.
Júlia
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Primavera adiada
Primavera
adiada
Conversei muito com os deuses meses antes de
te conhecer. Ergui a cabeça para o céu azul escuro da cidade e desafiei os
deuses a criarem o nosso encontro.
Eu não tinha mais forças para suportar o peso
do tempo em mim. Um tempo vazio e sem música, rasgado por unhas de dentro de um
sonho em que as xícaras quebravam antes de você beber o chá.
Os deuses não são surdos, mas são cheios de
vontade. Quando a noite estava ruim eu erguia o rosto para a noite dizendo que
ela me devia muito, muito mais do que estava pagando. Às vezes a noite se
comovia e o bem-estar lembrava um vestido novo, verde-água, mas escurecia de
manhã.
Uma noite eu estive no trapézio para
encontrar, um campo de girassóis por dentro. Calma. Mas sem a calma idiota de
quem promove a paz ignorando a guerra. Outra calma. Uma calma que supera a
calma, mas não foi inventada ainda uma palavra para isso. Meta-calma. Eu estava
em meta-calma quando te conheci. E no clima de um irracional entusiasmo.
A semente deste entusiasmo foi uma mensagem
de celular que uma amiga escritora me enviou meses antes. Perguntei se estava
tudo bem e ela respondeu: “Tudo. Trabalhando muito para sair de folga na quinta
que vem. E decidida: quero viver um grande amor. Espero por isso com alegria,
me faço bonita, testo nomes no escuro.” Fim de maio, há anos atrás.
Acho que tentei agarrar este espírito. Tentei
colocar este espírito de que uma coisa muito boa ia acontecer logo, como quem
agarra uma fada do escuro. Eu sei que isto parece a primeira lição da
auto-ajuda mais barata que se pode encontrar na estante de livros do
supermercado, mas é uma pequena fração de estratégia de sobrevivência de quem
se machucou etc.
Comecei a envelhecer muito rápido de uma hora
para a outra. Não queria sair para nenhum lugar, e quase todas as pessoas me
deixavam com um gosto de desencanto na alma, a sensação nefasta de acabar de
sair de um filme muito ruim que roubou duas horas da minha vida e uma parte do
dinheiro que eu tinha para sair. Uma sensação de perda e de lástima.
Então
agarrei aquela fada amassada no bolso, a fada de que tudo ia dar certo ainda.
Ela olhou para mim, da palma da minha mão, passou a mão sobre o vestido de
folha de amora, desamarrotou a roupa e foi embora. Um floco de luz se
movimentando pelo quarto como um pernilongo. O floco deu meia-volta, um
avião bêbado, chegou bem perto da minha cara e mostrou a língua. Nunca mais vi a
fada, mas soube que ela estava certa. Meu mundo estava sério demais,
descuidado, e para quem estava envelhecendo rápido, eu precisava tomar conta de
mim.
Então começara os rituais secretos e as
negociações com os deuses. Do meio de situações irônicas, eu atirava as minhas
súplicas. Até que fui parando de escrever cartas para um desconhecido e comecei
os pequenos cuidados.
Torcer a esperança até ela sangrar, se ela
está te incomodando. Ter mais segurança do que a esperança. Quando mais eu
falava com Deus, os deuses e a noite sobre o absurdo de cada situação, mais me
sentia cúmplice deles, secretamente cúmplice, até dos anjos. E distante.
Uma noite, antes de sair, a maçaneta da porta
caiu na rua. Coloquei a maçaneta no bolso e saí para um show. Eu saí dentro da
programação de cuidados pessoais com a minha alma machucada, aquele show tinha
as músicas obrigatórias para o tratamento.
Já não sei se era sonho ou se olhei para a
multidão querendo que ele aparecesse. Mas sei que ele estava ali, parado, e
olhou para mim. Ele me cumprimentou, eu não ouvi, mas vi a boca e os olhos,
disse oi.
Oi.
Este oi se multiplicou nas flores amarelas
caindo sobre o caminho dos meus pés e mudando os meus escritos.
Acordei de um
tom menor para um tom maior exageradamente festivo, um raio de sol dentro do
envelope de uma notícia triste, a cura para o final de um livro, agora reescrito.
Pequenos cuidados, flores da primavera adiada
para as flores no seu cabelo.
Pequena inclinação festiva para delicadas frações
de felicidade que cabem no pulso, no vento, no ponto final da espera a página
seguinte.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Ao contrário das casas que reformo, não espero reformas na
vida. A vida não é um bem imóvel.
Espero as marcas, não suporto assepsia. Amo as ruínas. Acho
que há mais beleza nas ruínas que em revistas de decoração.
Eu que já me quebrei tantas vezes e mesmo assim existo,
sinto que esconder todas as cicatrizes me deixaria invisível. Sinto-me invisível,
pois prefiro não mostrar as cicatrizes para qualquer um. Talvez eu viva num
limbo.
Só posso me entregar sendo visível, só sou visível em minhas
ruínas, em pedaços. Arrumada e perfumada eu não sou ninguém por quem eu me interesse.
Despedaçada eu não sou ninguém por quem alguém se interesse.
ass: Juliana
domingo, 29 de julho de 2012
Montanhas.
Ontem um amigo estava falando sobre escalar
montanhas, chutar as ambições para a montanha mais próxima, correr e subir,
subir e descer, escalar outra montanha. Um cansaço de tudo o que foi erigido
com pressa.
Ontem um amigo desistiu de chegar ao topo e está descansando
no vale, onde ninguém pode vê-lo, onde o silêncio te faz companhia.
O que eu quero hoje?
Quero o fim dos pedidos, o início da calma e o fio
de água que corre entre as curvas e pedras.
O que eu quero é agarrar a montanha, remoer a terra,
plantar sementes, cada folha nova crescendo invisível, cada dia novo escalando
o muro do meu tempo.
O que eu quero é acordar, e acreditar que você está perto,
cada vez mais perto da linha do tempo onde existe o nosso encontro.
Que você pise na linha do novelo que eu vou rolar no
chão e jogar para cima até espalhar os fios de barbante por toda a minha vida,
e depois colar as suas e as minhas roupas, as nossas fotografias, bilhetes de
shows e desenhos engraçados no varal. E que essa roupa seque, e que a chuva
molhe a roupa e os pingos no chão façam mais desenhos abstratos. Que a nossa
pauta esteja livre e aberta para mais uma valsa.
Não quero ser a montanha que espera, mas a água que
corre.
Quero sedimentar o bom sentimento. O frio das
especulações arrebenta sobre a minha sombra ao lado da sua sombra no
porta-retrato do asfalto.
Quero a agricultura das piadas que faremos juntos.
Quero as folhas amarelas, um vento no corpo, me
dizendo que estou leve, com, sem, você, eu, leve sem que a espera seja a velha
senhora que reclama de todas as distâncias, que a montanha seja apenas este
imenso contentamento que é solúvel com o porre da sua companhia.
Que se transforme devagar o nosso amor ainda fresco,
argila, terra fértil, território de viagens e passeios à padaria mais próxima.
Escrevo para que você exista.
Escrevo porque você existe e eu estou te chamando.
Escrevo palavras e junto adubo na montanha de
histórias que vou contar sobre nós dois, o pequeno continente de um encontro, a
nossa prosa poética, a nossa própria política, a geografia dos nossos corpos
juntos, a entrega, a conquista de um povo com o meu exército de escritos. A
literatura própria de um casal que escreve contos e romances. A crônica da
minha casa impressionada com a sua visita.
O que eu quero nessa geologia de dramas passados é a
independência do meu povo que luta diariamente contra as opressões do meu
sistema de erros. Descompassos.
Revolucionar todos os minutos, para que eles sejam vivos,
inquietos.
Quando você chegar à fronteira, não será um
estrangeiro. Você será recebido no acolhimento mais diplomático, sem a burocracia
de jogos e chantagens, e receberá o passaporte, um beijo, um abraço, uma
camiseta, quem sabe um visto permanente.
Agora que você está menos distante, o meu rosto
rejuvenesce. Eu tento manter o governo das minhas faculdades mentais intacto,
mas a alegria que você trouxe na bagagem me deixa tão louca e esquisita. Eu
tento culpar as suas roupas, mas seus olhos fecham um pouco no sorriso dócil e
as linhas ali perto, no rosto me desmancham.
Amor de montanhas. E uma sede de náufrago.
O mar da espera me dá náusea, salgado, imprevisível,
lento, violento, indeciso, me deixa de ressaca.
Mas o chão do seu nome me recompõe. O chão do seu nome escreve a personagem que escrevi para mim. A terra do seu nome tem música. A pele do meu corpo satisfeita.
Vontade de dançar. Com as estrelas, com as vacas.
Júlia.
quarta-feira, 18 de julho de 2012
A tristeza é algo imenso e como um gigante ditador regula
todas as suas ações e faz sombra em toda área que você pretende existir.
A tristeza é um cobertor de chumbo que não te deixa dormir nem
se mexer e faz com que se sinta todo seu peso o tempo enquanto, sub-reptício,
diz que te aquece te protege do mundo cinza que ela mesma desenhou.
E todo o triste se espanta diante do delicado-canto-quase-invisível,
e pensa: olha a beleza de uma coisa tão pequena.
Uma beleza de fresta ao fundo de um cômodo sem janelas. A possibilidade de resistência.
O desafie ao imperativo. Ao absoluto. Coisas pequenas resistem, o triste se
deslumbra. Sobreviver. Apesar de toda imensidão.
Juliana
Juliana
azul
sinto sua falta, sinto falta de falar o seu nome para alguém da minha família, com um tipo de satisfação secreta e de amor, o amor que hoje tento encontrar na calçada e nas montanhas da cidade.
despertar aos poucos para a sua companhia.
já não é mais a mesma febre e sede e fome, a falta de fôlego e o excesso de choro preso no corpo de quando a escritora de vinte anos sentava no café do cinema com seu caderno para escrever um livro antes do filme.
hoje é o tempo azul dos barcos. o tempo que não me inquieta tanto.
oceano pacífico de perdas, e a felicidade líquida de não esperar telefonemas e de evitar os dramas.
azul. o fim do dia.
azul de esperas e machucados boiando no mar escuro do passado. na gaveta, no poço.
azul das minhas veias e da maquiagem que nunca usei. azul do uniforme do colégio, do céu quando eu olho para o céu. azul de uma jaqueta e de um tênis e a dúvida se devo comprar de novo um tênis azul ou se dessa vez eu mudo para o verde ou para o violeta.
descanso longe dos pedidos. descanso no papel.
palavras para escrever depois da primavera e do inverno, depois de tantas histórias e agora, viva ainda, bonita ainda, alegre ainda, mesmo sem você. entre clichês ainda. mas contente.
você, o porto de todos os assuntos e o motivo do impulso para escrever sobre a falta que hoje é leve.
se é que uma falta pode ser leve.
quando você não estava. nem sempre foi ruim.
ass. júlia.
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