Ao contrário das casas que reformo, não espero reformas na
vida. A vida não é um bem imóvel.
Espero as marcas, não suporto assepsia. Amo as ruínas. Acho
que há mais beleza nas ruínas que em revistas de decoração.
Eu que já me quebrei tantas vezes e mesmo assim existo,
sinto que esconder todas as cicatrizes me deixaria invisível. Sinto-me invisível,
pois prefiro não mostrar as cicatrizes para qualquer um. Talvez eu viva num
limbo.
Só posso me entregar sendo visível, só sou visível em minhas
ruínas, em pedaços. Arrumada e perfumada eu não sou ninguém por quem eu me interesse.
Despedaçada eu não sou ninguém por quem alguém se interesse.
ass: Juliana

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